“A Voz Humana” abre XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz neste sábado (5)

Espetáculo apresenta uma mulher que fala ao telefone com seu amante, na tentativa de manter-se próxima a ele – mesmo que o único fio que ainda mantenha o laço entre o casal seja o do telefone

A dor da ruptura e o desespero da solidão. “A Voz Humana”, espetáculo que abre a programação do XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, às 20h, neste sábado, (5), em Belém, apresenta uma mulher que fala ao telefone com seu amante, na tentativa de manter-se próxima a ele – mesmo que o único fio que ainda mantenha o laço entre o casal seja o do telefone. A direção é do carioca Marcelo Marques, que teve o prazer de dirigir a diva do canto lírico brasileiro Eliane Coelho. A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz tem regência do maestro titular Miguel Campos Neto. Para completar a noite de estreia, antes o público ouvirá ainda “Pavane” para uma princesa morta”, de Maurice Ravel, e “Prelúdio para tarde de um fauno”, de Claude Debussy.

A composição do francês Francis Poulenc é baseada em texto homônimo de peça teatral do escritor Jean Cocteau, de 1930, e estreou em 1959, em Paris. Trata-se de uma ópera moderna, com cerca de 45 minutos, e que exalta o drama humano da perda de uma paixão. Reconhecida também pelo seu dom de interpretar, cabe à soprano toda a dramaticidade do espetáculo, já que figura como solista. A conversa entre ela e o amante é constantemente interrompida e relembra as falhas do início das telecomunicações, quando se recorria à uma telefonista para se conseguir uma linha.

“Sempre considerei e senti a ópera como teatro cantado. A música potencia a palavra, as situações, os momentos emocionais. Eu, pessoalmente, sempre preciso do personagem, e principalmente, da trajetória dramática do personagem, onde estamos de novo no teatro. A ópera, apesar de ter apenas uma pessoa no palco, é um diálogo. Só que só se escuta o que a personagem diz, como ela responde e reage ao que é dito do outro lado do fio”, explica a cantora.

Eliane Coelho diz que fazer uma ópera sozinha não permite um minuto de descanso e que o maior desafio é realizar essa construção psicológica da personagem, “não soltando o fio da meada do começo ao fim”, diz, enfatizando que é a trajetória do personagem que ela quer mostrar. “É o que toda ópera e peça de teatro faz: explorar o humano. E cada pessoa no público vai tirar suas próprias conclusões, vai viver os momentos de acordo com suas próprias experiências e conceitos de vida”, diz.

É justamente essa abordagem que o diretor ressalta. Marcelo Marques, que trabalha pela primeira vez no Festival de Ópera do Theatro da Paz, explica que “A Voz Humana” exige que a cantora tenha a interpretação aguçada. Como ele atua essencialmente como diretor cênico, optou por dialogar com a soprano e encontrar soluções de canto e atuação à medida que os ensaios iam evoluindo.

“Trabalhar com a Eliane Coelho é um prazer para qualquer diretor, ela nos fornece possibilidades enormes de recursos e se comporta em cena como atriz. Essa ópera precisa de intérprete que entenda o que está dizendo e o que ela faz é incrível. Fiz uma costura de encenação e outras cenas escolhemos juntos, em que momento o personagem decide. Temos muita afinidade”, diz.

Marcelo Marques acentua ainda que por não se tratar de uma ópera de grande formato, a orquestração desempenha papel importante. “A música tem um quê de cinematográfico, de noir o tempo inteiro. É um drama que talvez todos nós já tenhamos passado e a nossa tentativa é de chegar nas pessoas nesse lugar na solidão após o desligamento de um laço afetivo. Fiz questão de não ter truques de encenação, o trabalho dessa ópera não é esse, é mais intimista”, analisa.

Para o maestro Miguel Campos Neto, do ponto de vista da regência, “A Voz Humana” apresenta uma partitura complexa. “Acho que o Poulenc quer mostrar a orquestra como um personagem, dando clima do que o amante fala ao outro lado do telefone, e a mulher responde. O Cocteau teve grandes sacadas no texto e ele na ópera. De repente clima ótimo e tranquilo e vai para outro mais rápido, pois ele falou algo forte do outro lado da linha. Eu diria que fizemos um bom trabalho e conseguimos colocar num nível de interpretação excelente”, diz o maestro.

PROGRAMAÇÃO – XVI FESTIVAL DE ÓPERA DO THEATRO DA PAZ

Ópera “A Voz Humana”, de Francis Poulenc
THEATRO DA PAZ >>> 05 DE AGOSTO >>> ÀS 20H
R$ 50,00 – Plateia, Varanda, Frisa e Camarote de 1ª
R$ 30,00 – Camarote de 2ª
R$ 20,00 – Galeria
RS 10,00 – Paraíso

Concerto Lírico
THEATRO DA PAZ >>> 15 DE AGOSTO >>> ÀS 20H
R$ 10,00 – Plateia, Varanda, Frisa e Camarote de 1ª
R$ 5,00 – Camarote de 2ª, Galeria e Paraíso

Stabat Mater, de Giovanni Pergolesi
IGREJA DE SANTO ALEXANDRE >>> 18 DE AGOSTO >>> ÀS 20H
Preço único: R$ 10,00

Palestra sobre a ópera Don Giovanni
THEATRO DA PAZ >>> 14 DE SETEMBRO>>> ÀS 18h30
Entrada gratuita

Ópera Don Giovanni, Mozart
THEATRO DA PAZ >>> 15, 17, 19 DE SETEMBRO >>> ÀS 20h
R$ 80,00 – Plateia, Varanda, Frisa e Camarote de 1ª
R$ 40,00 – Camarote de 2ª
R$ 20,00 – Galeria
RS 10,00 – Paraíso

Lançamento do livro
“Carlos Gomes, uma nova estrela: Sou e serei sempre Tonico de Campinas e Brasil”, de Jorge Alves de Lima
THEATRO DA PAZ >>> 19 DE SETEMBRO >>> ÀS 20h
Entrada gratuita

Concerto de encerramento
THEATRO DA PAZ >>> 23 DE SETEMBRO >>> ÀS 20h
Entrada gratuita

Ingressos disponíveis na bilheteria do teatro e pelo site www.ticketfacil.com.br. Informações: 4009-8758/8759.

Por Dominik Giusti – Sorella Conteúdo
Foto: Elza Lima